Cultura do Descarte: Aborto, Eutanásia e Divórcio

Aborto e cultura da morte

Estamos vivendo um período que tem sido bastante cruel, principalmente com os mais fragilizados e que demandam mais cuidado. A busca desenfreada pela satisfação própria tem alimentado de forma abundante o que tem se chamado de “Cultura do Descarte” que nada mais é do que “se livrar” daquilo que nos atrapalha, que não serve mais ou que nos causa desconforto.

É exatamente neste contexto que estamos vivendo e que, lamentavelmente, aumenta (e muito) o descaso em relação ao divórcio, ao aborto e à eutanásia, que, se ainda não reparou, todos os três casos são exatamente o DESCARTE DE PESSOAS. E essas três desgraças (me perdoe a ênfase na palavra) formam algo como uma “escadinha”: o 1º degrau é o divórcio; o 2º degrau é o aborto; o 3º degrau é a eutanásia. Ainda tem um quarto degrau, mas deste falarei em outra oportunidade…

Trata-se da bestialização do ser humano em três níveis, três graus, três degraus, em que se sobe a medida que o nível anterior se torna “normalizado”, se torna “comum”, quando se trata com certa “naturalidade”.

1º Degrau: O Divórcio

o divórcio alimenta a cultura do descarte

O primeiro degrau se trata do divórcio. O que é o divórcio se não você descartar a outra pessoa a qual viveu ótimas experiências (e por isso casou, não é?), mas que hoje já não vive tão bem como antes? Ou, o que é ainda pior, quando encontra outra pessoa que a satisfaça mais plenamente.

Sim! O divórcio é você jogar fora todo um passado (principalmente uma pessoa) que vinha sendo construído por causa de alguma coisa que se tornou mal resolvida ou por algum problema que passou a existir. Em ambos os casos é mais fácil descartar (e até eliminar) a outra pessoa do seu convívio, da sua vida, não é?

“Ah, cara… você está sendo radical demais!”

Será?

Primeiramente, preciso deixar claro que estou me referindo a questões de divórcio em que há a liberdade e não há risco de agressão ou morte, ok? Falo de casos em que duas pessoas que, no pleno exercício de sua liberdade, escolheram se unir, assumindo um compromisso um com o outro.

O divórcio começou a ser naturalizado e visto como algo bom por volta dos anos 60 ou 70 do século XX. Invadiu os lares através da televisão, sobretudo através das novelas. Livros e mídia impressa também tiveram influência, mas o poder destes é muito menor do que daqueles.

A partir daí foi fortalecendo o apelo sexual, a “libertinagem livre” que foi um instrumento importantíssimo para enfraquecer os laços familiares e tornar o ser humano cada vez mais animal irracional, guiado pelos instintos.

Quando o divórcio se tornou algo fácil e comum, o cuidado de cumprir com um compromisso assumido se deteriorou. Os compromissos deixaram de existir ou, no mínimo, se tornaram voláteis, relativizados. Com isso, a depravação sexual também ganhou força e com ela os contraceptivos, além das doenças sexualmente transmissíveis começarem a adoecer a população, chegando até a matar muitos.

Na ausência de compromisso, os filhos começam a ser um grande problema, além de serem também vítimas da depravação e da falta de compromisso (e responsabilidade dos pais).

divórcio fortalece a ideia de que os filhos atrapalham

O filho é uma nova vida e esta requer cuidado e atenção. Os filhos, são frutos que formam um laço que une o pai e a mãe e suas respectivas famílias. Para quem não quer compromisso, os filhos passam a ser um problema e não uma bênção, um empecilho e não um ponto de união, algo que deve ser evitado e não comemorado. Então, os contraceptivos que são, em sua essência, bloqueio e rejeição à vida, passam a ser remédio (literalmente), solução para o problema que, para ele é: “Atrapalhar a depravação livre”.

Só que não existe contraceptivo com 100% de eficácia (e nem vou entrar, por ora, no mérito que a maioria é abortivo)… Então, é preciso resolver o 1% que causa dor de cabeça. Ou, o que é diabólico, resolver o problema quando se vacilar e não usar meios contraceptivos. Esse meio, a solução para essa questão, passou a ser o aborto, que nesta situação já entra como uma solução, como uma coisa boa.

O capeta bate palmas de pé…

O aborto passa a ser solução para pessoas irresponsáveis, que tiveram o ato sexual e teve como consequência óbvia (que hoje em dia já maquiaram e até destruíram essa obviedade) uma criança, uma vida. Vão dizer até que é melhor para a criança, pois ela será preservada de uma vida com pais irresponsáveis e que provavelmente, vendo o bebê como um empecilho, iria olhar para o bebê com rejeição e até desprezo. Para a cultura da morte, matar a criança é melhor do que rejeitá-la. E, pior, muitos concordam com isso!

2º Degrau: Aborto

cultura da morte e aborto

Quando chega a esse nível, a sociedade já está no segundo degrau da cultura do descarte, da cultura da morte. Divórcio já é normal, e até um direito… O aborto precisa seguir o mesmo curso. As pessoas já passam a se unir pensando na possibilidade de se separar caso não dê certo. Alias, para que assumir compromisso? Para que casar? Para se ter dor de cabeça na hora de separar tendo que assinar um monte de papel, perder tempo indo na justiça e gastando dinheiro com advogado? Melhor se juntar apenas… E de preferência por menos de dois anos para não dar problema na justiça. Essa é a mentalidade da cultura do descarte, da cultura da morte.

E essas pessoas que foram geradas nesse caldo satânico, como serão? O que se tornarão, vivendo num ambiente e numa cultura de morte dessa, cujo laços são frouxos (se é que chegam a existir) em que é normal não assumir compromissos e descartar tudo que atrapalhe os próprios planos?

Os bebês quando nascem requerem bastante cuidado. Mas, o ser humano não é imortal neste tempo, neste mundo. As pessoas envelhecem, adoecem… isso faz parte da vida Uma cultura da vida leva as pessoas a cuidarem dos mais frágeis e buscam preservar a vida, tentam restaurar a saúde e cuidar para que os mais frágeis não adoeçam e venham a falecer. Ou, nos casos irreversíveis, amar e dar o melhor para que a pessoa possa ser confortada até quando chegar o seu tempo.

3º Degrau: Eutanásia

eutanásia é um ato de falta de consideração com a vida

No curso da vida, bebês e idosos se unem no fato de precisarem de cuidados especiais. Contudo, se não há consideração com a vida, se a satisfação própria passa a ser o principal da vida, o descarte, como disse, passa a ser uma solução.

Com os bebês, a desculpa é que eles não merecem uma vida dura e cheia de privações. Com os idosos a desculpa é… a mesma coisa…

Estamos chegando ao terceiro degrau. A eutanásia, ou seja, eliminar a vida do idoso ou doente e isso passar a ser considerado um ato de caridade. A desculpa, é a qualidade de vida do idoso (e do bebê também) ou doente. A real, é a falta de respeito com a vida, a falta de consideração para com o próximo, tudo para não atrapalhar uma vidinha pautada em prazeres e satisfações.

Se você se sentiu incomodado com essas reflexões sobre a cultura do descarte, o divórcio, o aborto e a eutanásia, dependendo de qual foi o seu incômodo, pode que seja uma coisa boa. Agora, se você se incomodou porque se identificou em algum dos degraus e achou o degrau seguinte um exagero, reflita sobre o rumo que sua vida está levando. Reflita se a geração depois da sua não vai fazer contigo o que você acha que é um exagero.

As reflexões sobre a cultura do descarte, sobre a cultura da morte, não vão parar com este post. Ainda vem mais por aí…

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