Estão Transformando o Santuário da Vida em Sepulcro

(Jo 16, 20-23) – Tristeza se Transformará em Alegria

Até que ponto chega a capacidade humana de destruir e deturpar as coisas somente para não se sentir mal ou não ser contrariado e alimentar o seu egoísmo? O ser humano tem uma ágil capacidade de transformar dons em vícios, sexo em depravação, gerador de vida em instrumento de morte, santuário da vida em sepulcro.

Quanto mais mundano vai se tornando o homem, maior a capacidade de transformar, por ilusão, se iludindo, o que é bom no que é mal. O prazer no comer que deveria nos estimular a nos alimentarmos melhor, transforma-se em gula. A energia para realizar atos que edificam, defender a vida e combater injustiças, transforma-se em ira. O produzir bens para melhorar as condições de vida e desenvolver a sociedade, transforma-se em avareza. O prazer no descanso, para que não cheguemos à exaustão e paralisia, transforma0se em preguiça. O prazer sexual para nos estimular a gerar vida e povoar o Céu colaborando com a obra de Amor do Criador, transforma-se em luxúria… e assim por diante.

Uma sociedade pautada apenas nos prazeres, perde, gradativamente e de forma cada vez mais acelerada, o senso de responsabilidade. Passamos a pensar somente nos direitos (sobretudo do prazer) e não queremos as responsabilidade que tais direitos trazem consigo.

Evangelho Proposto

No Evangelho proposto para hoje, Jesus fala da alegria que sublima (até aniquila) todo sofrimento passado antes de alcança-la. E, para isso, usa como exemplo mulheres grávidas que passam por dores do parto, mas que essas dores são completamente esquecidas quando vem a alegria de ter seu filho no colo.

Mas, essa alegria traz consigo responsabilidades. Manter a alegria de uma casa cheia de crianças traz consigo cuidar dessas crianças, alimentá-las, educa-las, passar por (muitas) preocupações. Inclusive (e, talvez, principalmente) depois de grandinhas. Por tudo isso, acredito, Deus nos deu um “mimo” generoso que é o prazer sexual.

Sim! É fato! Tendo em vista uma alegria ou realização, começamos a ver também as barreiras para chegar a elas e, tendemos, a focar apenas no que dói, até por instinto de conservação da vida e defesa que temos. Assim, o prazer sexual vira um “combustível” para termos acesso à alegria final.

Quando alimentamos erradamente esse instinto de defesa, quando rejeitamos as dores, as responsabilidades e nos perguntamos: “Isso é bom, mas causa dor… como eliminar a dor e ficar só com o que é bom?”, estamos nos fazendo de Deuses e querendo mudar a natureza das coisas.

Trazendo para um exemplo bem concreto…

Tenho um desejo que me causa muito prazer quando saciado, mas para saciá-lo eu devo estar pronto para assumir responsabilidades. Passando pelos obstáculos, terei a imensa alegria. Como ficar só com a Alegria e o Prazer? Eu preciso ter mesmo essas dores para ter momentos de alegria?

Uma das maneiras é transformando o desejo em necessidade. Sendo uma necessidade, ela precisa ser suprida a todo custo, caso contrário ocorrerá um grande mal. Mas, é preciso justificar essa necessidade, então, transforma-se a alegria em um direito. Se é um direito, é justo que ele seja cumprido e o não cumprimento é um mal em si mesmo pois é injusto. Assim, as responsabilidades passam a ser instrumentos que atrapalham a justiça e, por isso, devem ser eliminadas.

Temos desejo sexual para gerarmos uma vida que nos traz alegria, mas a vida traz responsabilidades. Usando a (pseudo)lógica anterior, para se fazer justiça é preciso que se elimine a vida. Assim, o desejo sexual, que passou a ser necessidade sexual, me leva a alegria e a vida no meio atrapalha. Um absurdo!!

Desculpe a crueza, mas é como se dissesse: Para ser feliz eu preciso satisfazer minha necessidade sexual, mesmo que para isso seja necessário matar o bebê. É isso que está em jogo!

O pior de tudo é que a Vida, esta sim um DIREITO NATURAL, não pode seguir a mesma “lógica”. Tudo que atrapalhasse a sobrevivência deveria ser eliminado  pois são instrumentos de injustiça. Mas, não pensam assim.

E, por que a Vida é um Direito Natural?

Compartilho um trecho de um artigo do Padre Adriano Corrêa que vi na revista “Hora da Família”, na proposta do 2º Encontro durante a Semana Nacional da Vida:

“A Igreja afirma clara e unanimemente de que (…) desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ser reconhecido nos seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida. O direito à vida do concepto tem a sua fundamentação numa reflexão sobre dados científicos acerca do valor humano do novo ser: seu caráter biológico humano, a continuidade do processo de desenvolvimento embrionário, é um ser chamado à vida. (…) Este ser, pelas recentes aquisições da biologia humana, que reconhece que no zigoto derivante da fecundação já está constituída a identidade biológica de um novo indivíduo humano.”

“Partindo do pressuposto de que o embrião possui uma individualidade geneticamente distinta e diferenciada de seus pais, (…) a Igreja fala sobre a recepção da alma já no momento da fecundação: desde o momento da concepção, a vida de todo ser humano deve ser respeitada de modo absoluto.”

“A Igreja também parte da fundamentação das Escrituras Sagradas (…). Para a reflexão da Igreja, o aborto constitui sempre um ato violento ao lado do infanticídio e a pessoa que o pratica voluntariamente comete uma falta grave. Deus, com efeito, que é o Senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida para ser exercido da maneira condigna do homem. Por isso a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção”.

Voltando ao Evangelho

“Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”

Jesus proferiu essas palavras anunciando aos discípulos a sua morte e a sua ressurreição, mas para ressuscitar e trazer a Alegria de ter os seres humanos ressuscitados com Ele, seria necessário passar por todo sofrimento. Ou seja, sem o sofrimento não há a redenção. Em nossas condições por causa das nossas culpas, não há redenção e ressurreição (Vida Verdadeira e Eterna) sem o sofrimento. Não é possível ter a alegria sem a responsabilidade.

Se queremos a Alegria que os prazeres (suprimento de desejos) nos trazem, devemos abraçar as responsabilidade. Se queremos a Alegria que o prazer sexual nos proporciona, devemos abraçar a Vida. Caso contrário, estaremos transformando, deturpando, uma coisa boa em um grande mal. Estaremos transformando Vida em morte e o útero que deveria ser gerador de vida (e alegria) passa ser um sarcófago. Estaremos Transformando o Santuário da Vida em Sepulcro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *