Dia 40 – Creiamos Firmemente no Deus da Ressurreição e da Restauração

“São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai a Satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Falar de morte é para muita gente (muita gente mesmo) algo “macabro”, que se evita falar a todo custo. Mas, é preciso falar dela, pois a morte corporal põe o ponto final no tempo, no tempo da Misericórdia de Deus para cada um de nós.

Ao nos depararmos com a morte, vemos o quanto somos um nada, o quanto somos frágeis, vemos que tudo perde o seu valor quando confrontado à realidade da morte. A morte na terra declara um fim, mas o fim de uma minúscula janela de tempo.

Mas, é fato, a morte faz tremer qualquer ser vivo saudável. Quer dizer… não tanto aqueles que creem e seguem Jesus. Estes têm de fato a morte como uma passagem (páscoa) e, estando com a consciência limpa e tendo o conforto dos sacramentos, o momento de agonia se torna sublime. O problema é… quantos realmente creem em Jesus e quantos de nós podemos dizer que estamos com a consciência limpa?

Teme-se tanto a morte do corpo, mas de forma insensata negligencia-se  a morte eterna, essa sim digna de pavor, que fez tantos santos mais místicos, e que tiveram a graça de poder ter uma visão do inferno, ter compaixão até da pior alma que possa existir. Por isso, Jesus nos diz:

“Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo na Geena!” (Mt 10, 28)

E o que faz a nossa alma ficar adoecida, podendo chegar à morte eterna? O pecado. E o pecado não atinge só a alma, atinge e prejudica o ser humano inteiro. É só olhar para os lados e ver quão degradante é o estado da pessoa que se encontra em qualquer vício. QUALQUER VÍCIO! Do mais simples ao mais degradante. Do viciado em açúcar ao viciado em cocaína ou crack. Do viciado em refrigerante ao viciado em álcool. Do viciado em quadrinhos ao viciado em pornografia.

Claro que cada vício tem seu grau de degradação. Uns matam mais rápido, outros mais devagar. E é assim também com a nossa alma em relação ao pecado. Todo e qualquer pecado degrada nossa alma (além do corpo), mas uns pecados colocam logo na porta do inferno (pecado mortal) e outros levam mais lentamente (pecado venial).

Existem casos tão extremos de vício que nós, meros humanos, fracos na fé ou completamente sem fé, tendemos a pensar que não existe mais jeito para aquela alma (ou corpo). Nós, que cremos, algumas vezes (ou muitas) esquecemos que o Nosso Deus é o Deus do Impossível, o Deus que Ressuscita Morto e Restaura Vidas, o Deus que tudo pode, tudo faz para nos levar de volta para Ele. A única coisa que Ele não faz (mas tem poder para fazer) é tirar a nossa liberdade de escolha, pois Ele quer o nosso Amor e só é possível amar aquele que é livre. Que é livre para escolher amar.

Como dizia… muitas vezes a pessoa está num estado tão degradante, tão entregue aos prazeres mundanos, tão viciado, com a alma tão “paralisada”, que podemos dizer que essa pessoa “morreu e não sabe”. É preciso, neste caso, interceder bastante por essas pobres almas, mesmo que elas não queiram, não creiam ou não se importem.

Deus pode te levantar e te ressuscitar meu irmão, ou minha irmã. Deus pode curar a alma daquele que já está morto para o Céu, aquela pessoa que você não para de rezar pedindo a restauração, a ressurreição (conversão).

Nosso Senhor quer curar essas almas, quer ressuscitar as almas que estão no estado de morte. Mas, é preciso uma mobilização nossa e, principalmente, de quem está morto. Por isso que a Oração Eficiente é aquela que pede a mudança do coração, a cura da alma, estar conforme a vontade de Deus. O intercessor pede a conversão, o morto acolhe ou não a graça. Como disse, a única coisa que Deus não faz é tirar a nossa liberdade, quando se trata de salvar e resgatar almas.

Nas três ressurreições dos Evangelhos que mostro a seguir tem essas características: Nos três tiveram intercessores e o morto precisou se mobilizar, se levantar. De nada teria servido a intercessão se o morto preferisse ficar paralisado.

“Em seguida, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e o acompanhavam os seus discípulos com uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, coincidiu que estavam levando um morto, um filho único, cuja mãe era viúva. Uma grande multidão da cidade ia com ela. Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse: ‘Não chores!’. Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Ele ordenou: ‘Jovem, eu te digo, levanta-te!’. O que tinha morrido sentou-se e começou a falar, e Jesus o entregou à sua mãe”. (Lc 7, 11-15)

Neste primeiro caso, num primeiro momento pode parecer que não houve a intercessão, mas houve sim. O próprio Jesus intercedeu, tomou a iniciativa e, depois, outros pararam o cortejo. Podemos ver como Deus sempre vem ao nosso socorro e nos chama. Mas, precisamos responder. Quantos de nós deus chama para esse ministério de intercessão e não obedecemos, não correspondemos? Nesse caso, o próprio Deus vem!

O segundo caso é o da filha de Jairo em que o próprio pai vai interceder pela filha:

“Veio então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicava-lhe insistentemente: ‘Minha filhinha está prestes a morrer. Vem, impõe suas mãos sobre ela, para que fique curada e viva’. […] Jesus ainda estava falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: ‘Tua filha morreu. Por que ainda incomodas o mestre?’. Ao ouvir a notícia, Jesus disse ao chefe da sinagoga: ‘Não tenhas medo, crê somente’.” (Mc 5, 22-23. 35-36)

Repare que o pai veio interceder quando a filha ainda estava num estado crítico. Mas, a caminho, outras pessoas trazem a notícia que a filha morreu. E tende a dispensar Jesus. Isso nos mostra que sempre vão aparecer aqueles que vão nos dizer que não tem mais jeito para muitas situações de morte, sempre vai ter aquele que, mesmo sem maldade, talvez até dotado de boa intenção, vai nos desencorajar e minar a nossa fé. Isso acontece muito quando a mentalidade é meramente mundana, esquecendo o sobrenatural.

Jesus foi direto com Jairo: “Não tenhais medo, crê somente”. Em outras palavras, não dê ouvidos aos outros, creia em mim. Nisso colocou o intercessor à prova: crê ou não crê? Prova a fé. Ele creu e continuou levando Jesus à sua casa e Jesus, chegando, deu a ordem para a menina se levantar, e ela correspondeu:

“Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a agitação, pois choravam e lamuriavam muito. Entrando na casa, ele perguntou: ‘Por que essa agitação, porque chorais? A menina não morreu, ela dorme’. E zombavam dele. Então afastou a multidão e levou consigo o pai e a mãe da menina e os que estavam com ele. Entrou no lugar onde estava a menina. Segurou a mão da menina e disse-lhe: ‘Talitá cum!’ (que quer dizer: ‘Menina, eu te digo, levanta-te’). Imediatamente, a menina se levantou e começou a andar, pois já tinha doze anos de idade.” (Mc 5, 38-42)

Por fim, temos a mais extraordinária de todas as ressurreições que Jesus realizou, além da própria, claro, que é a maior e mais extraordinária de todas e da de Maria Santíssima, ambas ressurreições eternas, os dois estão gloriosos e vivos no Céu. Esta última ressurreição realizada por Jesus é para não se ter mais dúvidas do poder de Deus. A última, a que Jesus realizou antes de morrer na Cruz e ressuscitar para nós dá a possibilidade de ressuscitarmos com Ele. A ressurreição de Lázaro que já estava sepultado a quatro dias, ou seja, em um estado que até os mais firmes na fé já não tinham mais esperanças.

“As irmãs mandaram avisar Jesus: ‘Senhor, aquele a quem amas está enfermo’. Ao ouvir isso, Jesus observou: ‘Essa enfermidade não é para a morte, mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado por ela’.” (Jo 11, 3-4)

Marta e Maria chamara a Deus que PARECIA não ter dado muita importância às suas dores e súplicas. Quantas vezes nos sentimos assim, não é? Mas, nem por isso elas perderam a fé e, quando Jesus reapareceu, Marta professou a sua fé em Jesus, aceitando a vontade de Deus. Jesus não respondeu imediatamente, pois estava preparando algo muito maior, uma alegria muito maior.

“Marta, então, disse a Jesus: ‘Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mesmo assim, eu sei que, quanto pedires a Deus, ele te concederá’. Jesus respondeu: ‘Teu irmão vai ressuscitar’. Marta disse: ‘Eu sei que ele vai ressuscitar, na ressurreição do último dia’. Então, Jesus declarou: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?’. Ela respondeu: ‘Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que vem ao mundo’.” (Jo 11, 21-27)

Vale ressaltar que Jesus apresenta a todos nós a condição para ter a Vida Eterna, a Felicidade Verdadeira, a ressurreição final: Crer Nele! Quem crê Nele, jamais morrerá, mas terá a Vida Eterna, será Feliz Eternamente.

Depois de ter a sua fé testada e professada, são chamadas a fazer o que para os sem fé parecia loucura, insensatez. Marta até vacilou um pouco, mas foi obediente e mandou tirar a pedra do túmulo de Lázaro.

“Jesus disse: ‘Tirai a pedra!’ Marta, a irmã do morto, disse-lhe: ‘Senhor, já cheira mal, é o quarto dia’. Jesus respondeu: ‘Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?’. Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos ao alto, disse: ‘Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa da multidão ao meu redor, para que creia que tu me ouviste’. Dito isso, exclamou com voz forte: ‘Lázaro, vem para fora!’. O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés atados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: ‘Desatai-o e o deixai ir!’.” (Jo 11, 39-44)

O Evangelista faz questão de frisar que Lázaro, o morto, estava todo amarrado, atado. Ele estava com grande dificuldade de locomoção e certamente precisou fazer um esforço imenso para sair do estado em que se encontrava. Mas, mesmo assim, ele encontrou forças e obedeceu ao Senhor.

Vale destacar que o fim último de toda ação é a Glória de Deus. Em João 11,4 Jesus deixa claro aos seus discípulos que Deus será Glorificado com a morte de Lázaro. Em Jo 11, 40, Jesus reafirma, dessa vez para Marta, que quem crê vê a Glória de Deus.

Podemos destacar, ainda, a importância de Obedecer o que Deus nos pede para obtermos as Graças que precisamos, mesmo que não entendamos, mesmo que duvidemos ou achemos estranho alguma coisa.

Que possamos, irmãos e irmãs, fortalecer sempre mais a nossa fé. Nunca percamos a esperança no nosso Deus, mas é preciso, antes, crê e confiar nos desígnios do Altíssimo que são para a nossa Salvação e para a Sua maior Glória, nossa maior alegria, nossa Felicidade Verdadeira: Contemplar a Glória de Deus e participar de Sua Vida Eterna.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e intercede para que mudemos nosso coração e  Creiamos Firmemente no Deus da Ressurreição e da Restauração.

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