Dia 32 – Para Alcançarmos a Perfeição Cristã, Digamos Sim a Ação de Deus em Nós

“São Miguel Arcanjo, nós vos suplicamos que nos alcanceis de Deus a verdadeira humildade de coração, uma fidelidade inabalável no cumprimento contínuo da vontade de Deus e uma grande fortaleza no sofrimento e na penúria. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Quando pensamos na perfeição cristã um nome vem de imediato em nosso pensamento: Maria. Não existe (nem nunca existirá) outra criatura mais perfeita do que Nossa Senhora. Nenhuma outra criatura será a Mãe de Deus, nenhuma outra criatura verá o próprio Deus, Jesus, crescer em seu lar e numa outra criatura será capaz de educar o próprio Deus. Lógico que isso somente foi possível pela Graça que Deus derramou em Nossa Senhora de forma abundante e ela correspondeu a Ação de Deus Nela.

O fato de não ser possível existir outra criatura mais perfeita do que Nossa Senhora não deve nos desanimar na busca da perfeição cristã. De forma alguma! Repare que eu disse que “Nenhuma criatura será MAIS perfeita do que Nossa Senhora”. Eu não disse que não é possível chegar à perfeição cristã, mas sim que não é possível chegar ao “nível” Dela. Então, muito ao contrário de desanimar, isso deve nos estimular a imitar a Virgem Santíssima. Até porque, no Céu só entra cristãos perfeitos. Todos nós seremos perfeitos no Céu. Mas, nenhum de nós será tão perfeito quando Nossa Senhora.

Sim! Alcançar a perfeição cristã não é uma tarefa fácil. Muito pelo contrário! É bastante difícil e é preciso perseverar na busca da perfeição cristã para passarmos pela porta estreita. Por isso é essencial termos Nossa Senhora como referência, como nosso “norte”, pois ela é a perfeita criatura cristã, aquela que se uniu a Jesus com perfeição.

“Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram”. (Mt 7, 13-14)

Deus quer todos ao Seu lado. Deus quer todos perfeitos como Ele – “Sede, portanto, perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48) –, mas infelizmente poucos correspondem ao Seu chamado. E, alguns que correspondem, querem corresponder à sua maneira, sem reconhecer quem verdadeiramente é Deus.

“O Reino dos Céus é como um rei que preparou a festa do casamento de seu filho. Mandou seus servos chamarem os convidados para a festa, mas eles não quiseram vir. Mandou então outros servos, com esta ordem: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos, tudo está preparado. Vinde para a festa!’. Os convidados, porém, não se importaram, um foi para o seu campo, outro para seus negócios, e outros agarraram os servos, bateram neles e os mataram. O rei ficou irado e mandou suas tropas matarem aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. Em seguida, disse aos servos: ‘A festa do casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. Portanto, ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para o casamento todos os que encontrardes’. Os servos saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do casamento ficou cheia de convidados. Quando o rei entrou para ver os convidados, obervou um homem que não estava trajado para o casamento e perguntou-lhe: ‘amigo, como entraste aqui sem o traje para o casamento?’ Ele, porém, calou-se. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas! Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. (Mt 22, 2-14)

Reparou como Deus insiste chamando a todos, nesta parábola contada por Jesus? Primeiro chamou os seus mais próximos e eles não quiseram ir. Depois insiste mostrando os benefícios e a reação foi ainda pior, deram desculpas esfarrapadas ou que demonstraram não dar a devida importância e uns até chegaram a matar os enviados do rei. Tendo sido rejeitado pelos seus próximos, ele chama a todos os povos, para participar do Banquete Nupcial, sem restrição. Ele convidou todos à conversão e reuniu todos sem distinção. Mas, teve aquele que demonstrou certo desprezo, mesmo chegando à porta. Quando o rei perguntou a ele, chamando-o de “amigo”, inclusive, ele fez silêncio, sem ter o que falar. Faltou com respeito… Estava sem o devido preparo. Este, apesar de ter acatado o convite não o tratou de forma minimamente aceitável, sequer se justificando, e teve fim igual ou pior que os primeiros.

“Com efeito, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”, assim termina a parábola. Ou seja, infelizmente poucos correspondem como a Virgem Maria correspondeu. E como foi que a Virgem Santíssima correspondeu?

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38)

Maria disse “Sim” ao convite de Deus que veio através de Seu servo, um Anjo, assim como na parábola o convite do rei foi feito por meio de servos. E o “Sim” de Maria foi generoso diante da promessa, foi um “Sim confiante, sem uma mínima dúvida quanto a promessa e sem nenhuma restrição. Ela se colocou como “serva”, como “escrava”, aquela que não pertence mais a si mesma, mas somente a Deus, aquela que não tem mais vontade própria, mas sua vontade é a própria vontade de Deus. E qual foi a promessa de Deus a Nossa Senhora?

“O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é santo e será chamado Filho de Deus”. (Lc 1, 35)

A promessa de Deus a Nossa Senhora foi o envio do Espírito Santo, Aquele que dá os dons da perfeição cristã. Aquele que é o “Poder do Altíssimo”. Aquele que transforma, restaura e renova todas as coisas. E quais são esses dons?

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas o mesmo Deus realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista ao bem de todos. A um é dado pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro uma palavra de conhecimento pelo mesmo Espírito; a outro é dada a fé, pelo mesmo Espírito; a outros são dados dons de cura, pelo mesmo Espírito; a outro, o poder de fazer milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a diversidade de línguas; a outro, a interpretação das línguas. Todas essas coisas é o único Espírito que realiza, distribuindo-as a cada um conforme quer.” (1Cor 12, 4-10)

Para enumerar e deixar claro, são 7 os Dons do Espírito Santo e 12 são os seus frutos. A saber: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus são os 7 Dons do Espírito Santo. Já os 12 Frutos do Espírito Santo são Amor, Alegria, Paz, Paciência, Longanimidade, Bondade, Benignidade, Mansidão, Fé, Modéstia, Continência e Castidade.

Podemos ver que tudo isso está presente em Nossa Senhora com perfeição e abundância. Por isso Ela declara, cheia do Espírito Santo, o Magnificat:

“A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a condição humilde de sua serva. Todas as gerações, desde agora, me chamarão bem-aventurada, porque o Poderoso fez por mim grandes coisas. Santo é o seu nome, e sua misericórdia se estende, de geração em geração sobre aqueles que o temem”. (Lc 1, 46-50)

Devemos notar também que todos os dons e frutos do Espírito Santo são distribuídos como o Espírito deseja e é para o bem de todos“A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista ao bem de todos” – então a gente pode usufruir das graças de Deus operadas em Nossa Senhora, pois é para o bem de todos e para todos. Por isso que a perfeição de Maria, muito diferente de nos desestimular, deve antes nos alegrar e estimular a seguir o caminho da perfeição cristã.

Que possamos seguir os passos de Nossa Senhora e dizer a Deus o nosso “Sim” também de forma generosa e nos abrirmos inteiramente para que o Espírito Santo possa operar em nós e fazer maravilhas.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra as tentações que nos fazem nos afastarmos de deus. Ajudai-nos para que, Para Alcançarmos a Perfeição Cristã, Digamos Sim a Ação de Deus em Nós.

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