Dia 31 – Em Vez de Descartar, Restaurar Pessoas e Relacionamentos

“São Miguel Arcanjo – vós que defendestes a honra do Senhor empunhando o estandarte divino e exclamando: “Quem como Deus?” –, alcançai-nos zelo ardente, fé inabalável, para que saibamos, como vós, combater todos os males e conquistar a salvação . Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Hoje vivemos uma perversa cultura do descarte. Nos alegramos bastante quando conquistamos algo (ou alguém) e, enquanto este bem (ou pessoa) nos satisfaz, gozamos ao máximo o que nos podem oferecer. “Aproveitamos todo e cada momento”.

Tudo nesta vida é passageiro e desgasta. Sim! Isso é uma verdade. Mas, devemos descartar tudo que se desgasta com o tempo? Não devemos, antes, tentar restaurar, de todas as formas possíveis, aquilo que tanto nos alegrou no passado e carrega lembranças positivas, fazendo parte da nossa história?

É um fato que hoje em dia não se conserta praticamente nada. Quando algo quebra, geralmente é “mais vantajoso” comprar um similar novo, ou até um melhor, aproveitando a quebra para melhorar. Isso se a gente, antes, não fica provocando a quebra (ou perda) para ter uma desculpa de comprar um “novo e melhor”. Pior! Está cada vez mais comum a troca, antes mesmo de quebrar. Trocar pelo simples fato de ter aparecido algo melhor, mais moderno, mais descolado, mais jovem ou que me faça sentir melhor (ou mais jovem).

Agora que lestes até aqui, convido você a ler tudo novamente colocando no lugar do “objeto” uma pessoa. Isso se você já não leu fazendo essa associação, que provoquei algumas vezes no decorrer do texto.

O que relatei acima cabe, infelizmente, perfeitamente nos relacionamentos humanos de hoje em dia. Qualquer relacionamento humano! Seja com um vizinho, com um colega de trabalho, com um primo ou tio, com um irmão, com um filho, com o pai ou a mãe, com o(a) namorado(a), noivo(a) ou esposo(a). Temos, hoje em dia inclusive, aplicado ao ser humano o “teste antes de comprar”! O que é o “ficar”, por exemplo, senão o testar o outro para ver se te satisfaz e aí sim “comprar” (ou não), se suprir sua necessidade ou satisfizer suas expectativas?

Quando essa realidade se aplica a objetos, apesar de não ser muito saudável, as consequências são passageiras, afinal o objeto também é passageiro e, de fato, mais cedo ou mais tarde ele precisará ser descartado pois não servirá mais, terá passado o seu tempo. Mas, será que devemos aplicar essa mesma “cultura” aos seres humanos?

O ser humano, assim nós católicos cremos, são dotados de corpo e alma. Cremos, também, que fomos feitos para a Eternidade, ou seja, a nossa alma é eterna e o nosso corpo deveria também ser, mas pelo Pecado Original decaímos ele. Mas, cremos também que Deus em sua infinita bondade e misericórdia enviou o Seu Filho para nos devolver essa Eternidade e, no fim dos tempos, em Cristo, teremos o nosso corpo restaurado e ressuscitaremos gloriosamente com Cristo, se com Cristo morrermos. Essa é a nossa Fé. Essa é a nossa Esperança.

Então, não podemos tratar o que foi feito para a Eternidade como se fosse passageiro. Sim! Essa vida, neste tempo, passa! Mas, existe uma Eternidade à nossa espera e não podemos tratar as almas das pessoas com tanto desprezo. Devemos ter a consciência que as marcas, que deixamos nas pessoas podem ser eternas. Sim! Perdoadas e superadas, mas ficarão marcadas nela, farão parte de sua história.

Com esse olhar, vejamos a Parábola da Figueira Estéril, contada por Jesus no Capítulo Treze do Evangelho de São Lucas:

“Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar figos, mas não encontrou. Então disse ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que ela ocupa inutilmente o terreno?’. Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar frutos; caso contrário, tu a cortarás”. (Lc 13, 6-9).

Parábola pequena, mas cheia de significado. Peguemos aqui apenas um aspecto e possivelmente, em outra oportunidade, abordarei muitos outros.

Podemos pensar na figueira como aquela pessoa que achamos não ter mais jeito, aquele casamento que já julgamos ter feito de tudo para salvá-lo, ou aquela amizade ou namoro que ficou estéril por causa de alguma falta grave ou traição.

Pensando no descarte, o homem manda o agricultor descartar a figueira para que não ocupe inutilmente um lugar no terreno, ocupando o lugar de outra que poderia dar frutos, podendo ser útil e atender as suas expectativas.

Eis que o empregado intercede diante do patrão e pede para cuidar da vida da figueira, de um modo especial e mais atento, para ver se ela se restabelece. Caso não, depois de feito de tudo que é possível e especial, aí sim há o descarte. Quando já tiver esgotado todas as possibilidades.

Talvez essa pessoa que você pensa em descartar seja essa figueira. Talvez esse relacionamento que você pensa em acabar seja essa figueira. Talvez só precisem de uma atenção especial e de um cuidado especial naquele momento para serem restaurados. Talvez os frutos deliciosos e abundantes do início, no alto vigor, tenham feito com que se descuidasse de tratar da figueira para preservá-la dando frutos. Talvez, até ela tenha envelhecido mesmo, mas esse cuidado e atenção especial dá uma sobrevida à figueira, que dará mais alguns frutos remanescentes.

E, tenha certeza, neste processo de cuidado e atenção especial vai brotar em você (gerar em você) algo muito maior que, mesmo que a figueira não dê mais os frutos que davam antes, você vai querer preservá-la ali, por fazer parte da sua história e por trazer ótimas recordações. E, mais, quando chegar o tempo natural dela, ela deixará saudade, mas ÓTIMAS LEMBRANÇAS.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra os demônios do descarte. Que possamos Em Vez de Descartar, Restaurar Pessoas e Relacionamentos.

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