Dia 30 – Evitemos a Vaidade Que Nos Faz Ter Uma Vida Hipócrita

“São Miguel Arcanjo, vós a quem o Senhor confiou a guarda da Igreja, dignai-vos ouvir nossas preces em seu favor: Guardai-a do espírito de soberba de seus filhos, das falsas doutrinas, do desamor: Reuni as ovelhas desgarradas e apressai a hora da unidade de todos os seus filhos e filhas. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

A raiz de todo pecado é a soberba, é se mostrar ser muito acima do que realmente é, querendo se passar por algo que não é e assim receber glórias indevidas, vazias, vãs, a vanglória. Foi exatamente esse o pecado que derrubou lúcifer.

Repare que eu não disse que não devemos almejar, desejar, nos afeiçoar por coisas que ainda não temos e não somos. Não! Digo que não devemos tratar como se já tivéssemos, mostrar-nos aos outros como se tivéssemos para sermos percebidos de uma forma que não somos. Pior ainda se desprezamos os outros que não tem o que nós mentimos dizendo que temos ou não são o que dizemos ser. Devemos sim almejar coisas grandes, coisas santas, mas para a glória de Deus, para o bem da nossa alma, à disposição do Reino.

Nos Evangelhos, Jesus poucas vezes usou palavras duríssimas, demonstrando irritação, e quase todas foi exatamente combatendo a hipocrisia, o fingir ser o que não é e usar disso para oprimir e humilhar os outros.

A parábola do Publicano e do fariseu mostra exatamente essa realidade:

“Para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezava os outros, Jesus contou essa parábola: ‘Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. O fariseu, de pé, orava assim em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço, porque não sou como o outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de toda a minha renda’. O publicano, porém, ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, sê propício para mim, que sou pecador!’. Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, mas o outro não. Com efeito, todo o que se exaltar será humilhado, e o que se humilhar será exaltado”. (Lc 18, 9-14)

Em seu longo discurso no templo em Jerusalém, Jesus profere palavras duríssimas sobre a hipocrisia dos fariseus, desnudando-os, expondo as feridas para servirem de exemplo ao Povo de Deus e estes se prevenirem e não seguirem o que é podre. E, claro, não se vangloriarem, não se envaidecerem.

“Na cátedra de Moises estão sentados os escribas e os fariseus. Portanto, tudo o que eles vos disserem, fazem e observai, mas não imiteis as suas ações, pois eles falam e não fazem. […] Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Fechais aos outros o Reino dos Céus, mas vós mesmos não entrais, nem deixais entrar aqueles que o desejam. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis terra e mar para ganhar um só prosélito, e quando o conseguis, o tornais merecedor da Geena, duas vezes mais do que vós. Ai de vós, guia de cegos! Dizeis: ‘Se alguém jura pelo Santuário, não vale; mas se alguém jura pelo ouro do Santuário, então vale!’. […] Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo de hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como o direito, a misericórdia e a fidelidade. Isto é o que deveríeis praticar, sem deixar aquilo. Guiais cegos! Filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Limpais o copo e o prato por fora, mas por dentro estão cheios de roubo e intemperança. Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, e ficará limpo também por fora. Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossadas e toda podridão! Assim também vós: por fora pareceis justos diante dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade. (Mt 23, 2-5. 13-16. 23-28)

Esse modo de vida mata a caridade, o amor, pois o outro passa a ser mero instrumento para que posas se sentir elevado. Mas, uma hora a mascara cai e diante de deus ninguém se disfarça.

“Guardai-vos do fermente dos fariseus, que é a hipocrisia. Nada há de oculto que não venha a ser revelado, e nada há de escondido que não venha a ser conhecido. Portanto, tudo o que tiverdes dito no escuro, será ouvido à luz do dia, e o que tiverdes falado ao pé do ouvido, nos quartos, será proclamado desde os telhados. A vós, porém, meus amigos, eu digo: não tenhais medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de fazer morrer, tem o poder de lançar-vos à Geena. Sim, eu vos digo, esse deveis temer”. (Lc 12, 2-5)

Como disse no início dessa reflexão, a raiz de todo pecado é a soberba e foi através dela que satanás caiu. Na passagem acima Jesus alerta exatamente para esta realidade: para o desmascaramento da hipocrisia e como viver uma realidade hipócrita pode atrair o demônio e passar a correr grande risco de ir para o inferno (Geena).

Jesus ao falar de “fermento” também chama a atenção para uma realidade perigosa: “Um pouco de fermento fermenta a massa toda” (Gal 5, 9).

São Paulo trata especificamente do caso da circuncisão, mas expande para a realidade de se tratar apenas das aparências, seguir a Lei sem mudar o coração, como isso é se impor a uma escravidão da vida de aparências e como isso pode levar a uma vida de pecado desenfreada.

“Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pelo amor; ser ou não ser circuncidado não tem importância alguma. […] Sim, irmãos, fostes chamados para a liberdade. Porém, não façais da liberdade um pretexto para servirdes à carne. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros, pelo amor. Pois toda a lei se resumo neste único mandamento: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Mas se vos mordeis e vos devorais uns aos outros, cuidado para não serdes consumidos uns pelos outros! Eu vos exorto: deixa-vos sempre guiar pelo Espírito, e nunca satisfaçais o desejo da carne. Pois o que a carne deseja é contra o Espírito, e o que o Espírito deseja é contra a carne: são postos um do outro, e por isso nem sempre fazeis o que gostaríeis de fazer. Se, porém, sois conduzidos pelo Espírito, então não estais sob o jugo da Lei. São bem conhecidas as obras da carne: imoralidade sexual, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, contenda, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, invejas, bebedeiras, orgias e outras semelhantes. Eu vos previno, como aliás já o fiz: os que praticam essas coisas não herdarão o reino de Deus. O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não existe lei. Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, procedamos também de acordo com o Espírito. Não busquemos vanglória, provocando-nos ou invejando-nos uns aos outros.” (Gal 5, 5-6. 13-26)

Como podem ver, a soberba, a vanglória pode nos levar a uma vida totalmente desenfreada e nos fazer perder o Céu, pois nos escraviza e nos faz perder a caridade, o amor ao próximo. Para não deixa-la tomar conta, é preciso se abrir para os frutos do Espírito Santo praticando as virtudes, deixando de lado os vícios, as obras da carne, pois estas são como fermento que, ao deixarmos cair um pouquinho, em pouco tempo terão pervertido toda a nossa vida.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra a soberba para que Evitemos a Vaidade Que Nos Faz Ter Uma Vida Hipócrita.

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