Dia 28 – Colocar Nosso Coração na Eternidade

“Nós vos pedimos, ó São Miguel Arcanjo, em união com os santos serafins e querubins, que acendais em nossos corações o santo amor de Deus. Ensinai-nos a confiar plenamente nas promessas de Cristo, nosso Senhor. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Uma pergunta que nós deveríamos fazer a nós mesmos, constantemente, todos os dias e antes de todas as nossas ações: “Onde estou colocando o meu coração?”. Você certamente já se fez essa pergunta alguma vez e provavelmente já percebeu que seu coração ainda não está no lugar que você gostaria que estivesse.

Certamente, como Católicos, nossa resposta consciente à pergunta “Onde você QUER colocar o seu coração?” tem resposta divergente da resposta da primeira pergunta. O problema está no nosso inconsciente, no que nosso corpo mortal deseja e nos impulsiona a satisfazê-lo, sublimando o desejo de nossa alma e o nosso desejo quando tomamos conhecimento e cremos na Eternidade e nas Palavras de Jesus.

Sim! Temos verdadeiramente o desejo da Eternidade e por isso, muitas vezes, nos enganamos por longos períodos quanto a durabilidade do que nos agrada, do que nos satisfaz neste tempo. Até inventamos uma “frasezinha” (fraudezinha) para nos enganar… digo, nos confortar: “Que seja ETERNO enquanto dure”, dizemos para as coisas prazerosas e que temos noção de que são passageiras. Usando esta frase ou estamos nos tapeando para nos confortar, ou não cremos mais na Eternidade e mudamos o conceito do que é o termo “eterno”.

Isso tudo porque é difícil admitirmos que sozinhos não temos o controle total, de nada, sequer do nosso corpo. Podemos até “manter o controle” por algum período, mas não sempre. Sempre caímos e sempre erramos. “Errar é humano”, dizemos e admitimos. Só não podemos sentar em cima dessa frase e nos conformarmos a ela, muito menos se o assunto for referente a nossa salvação, à Eternidade.

“Não ajunteis tesouros para vós, aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões arrombam e roubam. Ao contrário, ajuntai-vos tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e os ladrões não arrombam nem roubam. Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. (Mt 6, 19-21)

Vemos nessas palavras de Jesus uma verdade e queremos seguir. Vemos como tudo que está ao nosso redor se desgasta e podem ser retirados de nós. E passamos a “ajustar” nosso desejo, nossa busca para as coisas do alto, para as coisas do Céu, para as coisas de Deus. Queremos colocar nosso coração no Céu e repetimos em todas as missas “Nosso coração está em Deus”, quando o padre nos convoca a elevarmos nosso coração para o alto.

“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à Direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória”. (Col 3, 1-4)

Pronto! Lendo esses primeiros quatro versículos do terceiro capítulo da Carta de São Paulo aos Colossenses, encontramos o caminho que nos colocará na rota do nosso propósito. Queremos ressuscitar com Cristo, pois queremos a Eternidade, e nos afeiçoamos às coisas do Céu, vemos que as coisas da terra são puro engano para nossas aspirações.

Porém, do quinto versículo para frente a gente nota como ainda precisamos matar o homem velho que habita em nós, que nos vestimos, e como precisamos nos revestir do homem novo.

“Portanto, mortificai os vossos membros, isto é, o que em vós pertence à terra: imoralidade sexual, impureza, paixão, maus desejos, especialmente a ganância, que é uma idolatria. Estas coisas é que provocam a ira de Deus. Foi assim que vós também procedestes outrora, quando vivíeis  nessa desordens. Agora, porém, rejeitai tudo isto: ira, furor, malvadeza, ultrajes, e não saia de vossa boca nenhuma palavra indecente. Também não mintais uns aos outros, pois já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir, e vos revestistes do homem novo, o qual vai sendo sempre renovado à imagem do seu criador, a fim de alcançar um conhecimento cada vez mais perfeito. Aí não se faz mais distinção entre gregos e judeus, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita escravo, livre, porque agora o que conta é Cristo, que é tudo e está em todos”. (Col 3, 5-11)

O termo é forte: “mortificai”, ou seja matar. E São Paulo lista tudo o que nos derruba, que nos faz despencar do Céu e cair na terra e que precisamos matar dentro de nós: imoralidade sexual, impureza, paixão, maus desejos, ganância… e continua metendo o dedo na ferida do que fazemos com frequência, nossos vícios: ira, furor, malvadeza, ultrajes, palavras indecentes, mentiras

Vemos que temos muito o que abandonar, que largar tudo isso é bastante difícil, por isso precisamos ser restaurados constantemente, precisamos muitas e muitas vezes nos revestir do homem novo e para isso vem um conselho salutar:

“Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, vesti-vos com sentimentos de compaixão, com bondade, humildade, mansidão, paciência; suportai-vos uns aos outros e, se um tiver motivo de queixa contra o outro, perdoai-vos mutuamente. Como o Senhor vos perdoou, fazei assim  também vós. Sobretudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, para a qual também fostes chamados em um só corpo. E sede agradecidos”. (Col 3, 12-15)

É irmãos… Temos muito o que percorrer para chegarmos aonde buscamos! Sozinhos não somos capazes e precisamos uns dos outros, pois esse é o meio que Deus, em sua infinita sabedoria nos deu para que possamos arrumar toda essa bagunça interior que está em nosso coração. Ninguém vai para o Céu sozinho, precisamos ajudar uns aos outros em Cristo.

Precisamos colocar nosso Coração na Eternidade, no Céu, junto de Jesus para assim buscar as coisas do alto, mudarmos ao nós mesmos, ajudarmos uns aos outros e nos mudarmos e, assim organizarmos nosso coração para restaurarmos a nossa harmonia e o nosso equilíbrio que só se encontra em uma vida em Deus. Precisamos JULGAR uns aos outros com amor (não condenar, mas cuidar para que o outro não seja condenado na Eternidade), fazer a correção fraterna, tendo em vista a salvação do irmão. Julgar as ações que vão de contra o Evangelho e os ensinamentos da Igreja e condená-las. Condenar as ações, não a pessoa que tem a atitude condenável. Sei que isso é difícil de entender, principalmente da parte de quem está sendo corrigido, por isso se faz necessário colocar o parâmetro do amor e a salvação do próximo.

“Que a palavra de Cristo habite em vós com abundância. Com toda a sabedoria, instruí-vos e aconselhai-vos uns aos outros. Movidos pela graça, cantai a Deus, em vossos corações, com salmos, hinos e cânticos inspirados pelo Espírito. E tudo o que disserdes ou fizerdes, que seja sempre no nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus Pai”. (Col 3, 16-17)

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e nos ajude a manter o propósito de Colocar Nosso Coração na Eternidade, no Céu, em Deus!

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