Dia 26 – Dissipar os Espíritos das trevas Jogando Luz com Orações

“São Miguel Arcanjo, nós vos suplicamos devotamente, ó glorioso chefe das milícias celestes, que jamais permitais que nós sejamos oprimidos pelos espíritos maus do inferno e pelas enfermidades e pecados. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Assim como um ponto de luz pode ser suficiente para dissipar a escuridão, onde está instalada a bondade, o bem, o mal acaba sendo eclipsado e a maldade dissipada.

Numa de suas reflexões, Santo Agostinho chega a conclusão que o mal não é um ente em si, mas a ausência do bem. Assim como, retomando a comparação que deu início a essa reflexão, não existe a escuridão, pois essa nada mais é do que a ausência de luz.

Ora, Jesus é a Luz, Jesus é o Sumo Bem Encarnado. Onde Jesus está, o mal não pode fazer morada, não pode se instalar. Basta a presença de Jesus para afugentar todos os espíritos malignos. E onde é que Jesus está presente? Em todo lugar, correto? Como Deus, Ele é Onipresente. Mas, Jesus só se faz presente onde Ele é aceito. Jesus só se manifesta para aqueles que o desejam, só para quem abre a porta para Ele entrar. Mesmo Ele já estando presente, Ele não se faz presente para aqueles que não O aceitam, respeitando a opção de cada um de aceitá-Lo ou não.

Durante o sol do meio-dia, a luz está presente em todo lugar, mas se vedarmos nossas portas e janelas, ficaremos na escuridão porque assim desejamos, rejeitamos a luz por uma ação e opção nossa, impedindo a sua entrada.

Por isso que nós, Católicos, temos essa obrigação de levar o conhecimento de Jesus para cada canto do mundo, e somente após Jesus se fazer presente em cada canto, não existirá mais nenhum mal, nenhum ponto de trevas.

Vários são os relatos no Evangelho de quando Jesus chega em algum lugar, os demônios ficam fortemente incomodados e irritados. Trarei apenas três…

“Na sinagoga, estava um homem que tinha o espírito de um demônio impuro, e ele gritou em alta voz: ‘Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para nos arruinar? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!’. Jesus o repreendeu: ‘Cala-te, sai dele!’. O demônio lançou o homem por terra, no meio do povo, e saiu dele, sem fazer-lhe mal algum. Todos ficaram espantados e comentavam: ‘Que palavra é essa? Ele dá ordens aos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem’.” (Lc 4, 33-36)

Podemos chamar de impuro todo estado pecaminoso. O homem em questão estava carregado de pecados, sua alma estava impura, imunda, fétida. Mas, basta a chegada do Sumo Bem para os demônios reagirem, obedecerem, dissiparem.

As pessoas ao redor ficaram espantadas, final, logo que abrimos as janelas para deixar a luz entrar, esta nos incomoda nossa visão antes de nos acostumarmos à presença da luz. Cabe destacar que o demônio, antes de sair, fez o seu “showzinho”, mas na presença de Jesus nenhum mal poderia fazer, nem àquele que estava possesso, impuro, depois de limpo.

“Quando Jesus chegou à outra margem, à região dos gadarenos, saíram ao encontro dele, dentre os túmulos, dois possessos, que eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho. Eles gritaram: ‘Que queres de nós, Filho de Deus? Viestes aqui para nos atormentar ante do tempo?’. Ora, a certa distância deles, uma grande manda de porcos estava pastando. Os demônios suplicavam-lhe:’ Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos’. Ele disse: ‘Ide!’. Os demônios saíram e foram para os porcos. E toda a manada se precipitou, pelo despenhadeiro, no mar, morrendo nas águas. Os que cuidavam dos porcos fugiram e foram à cidade conta a notícia, inclusive o eu aconteceu com os possessos. A cidade inteira saiu ao encontro de Jesus. E logo que o viram, pediram-lhe que fosse embora do território deles.” (Mt 8, 28-34)

Já neste episódio relatado por São Mateus, os demônios eram mais agressivos a ponto de ninguém ousar se aproximar, mas a Jesus suplicaram que não os atormentasse. Infelizmente, assim como o pecado tem suas consequências depois de apagados, por onde o demônio se instala deixa seu estrago. No caso, perdeu-se uma manada de porcos.

Assentados no pecado, acostumados à vida pecaminosa, ao ver as consequências do abandono das coisas dos demônios, as pessoas, seduzidas e acostumadas ao mal (a ausência da luz), preferiram continuar no seu estado de pecado e escravidão pelos demônios, do que passar pelo processo de cura e libertação. Assim, pediram a Jesus que se retirasse, que não o incomodassem mais, pois não queriam mudar de vida. Fecharam as portas, vedaram as janelas para a entrada da luz e deixaram a escuridão continuar tomando conta do local.

No próximo exemplo, é bom notarmos o que pode nos acontecer se vacilarmos em nossas orações, se nos expusermos ao perigo (eminência do pecado), se nos enfraquecermos e dermos margem para os demônios nos tentarem.

“Quando um homem forte e bem armado guarda sua propriedade, seu bens estão seguros; mas quando chega um mais forte do que ele e o vence, arranca-lhe a armadura em que confiava e distribui os despojos. Quem não está comigo, está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha. Quando o espírito impuro sai de alguém, fica vagando por lugares áridos, buscando repouso. Não o encontrando, diz: ‘Vou voltar à minha casa de  onde saí’. Chegando aí, encontra a casa varrida e arrumada. Então, ele vai e traz outros sete espíritos, piores que ele, e eles entram e se instalam ali. No fim, o estado dessa pessoa fica pior do que antes’.” (Lc 11, 21-26)

Quando temos uma vida de oração, quando estamos em estado de graça, quando nos colocamos na presença de Jesus, somos como homem forte que guarda a casa armado. Quando nos expomos  a situações de pecado, corremos o risco do mal ser mais forte do que nós, pois estamos enfraquecendo nossas armas, estamos dedicando tempo e atenção para coisas que não nos aproximam de Deus, ao contrário, nos afasta da luz, que vai ficando mais fraca a medida que nos afastamos, que nos expomos mais ao pecado. Podemos dizer que “quem não se aproxima de Deus, se afasta”, quem não está com Jesus, está contra.

Por isso, um dos principais e eficientes conselhos contra as tentações é fugir de toda ocasião de pecado, não dar a menor margem para que o inimigo chame os outros sete espíritos pior do que ele. Se a tentação for para algum pecado que já cometemos e nos libertamos, algum vício que conseguimos abandonar, devemos tomar ainda mais cuidado, devemos ser ainda mais vigilantes e prudentes. As recaídas geralmente são muito piores do que a condição anterior.

Mantenhamo-nos sempre vigilantes, sempre em oração, na presença de Deus. Não vacilemos! Corramos de toda ocasião de pecado “como o diabo corre da cruz” (como diz o ditado), principalmente se já caímos outrora.

Abramos nossas portas e janelas para que a luz possa entrar e dissipar toda treva e revelar quais são os nossos pontos de sombra, os pontos que precisam ser iluminados com mais atenção.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e nos ajude a Dissipar os Espíritos das trevas Jogando Luz com Orações.

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