Dia 21 – Sejamos Puros de Coração e Gozemos da Felicidade Verdadeira

“São Miguel Arcanjo, defensor da Igreja militante e triunfante, nós vos pedimos que vos digneis guardar e defender nossas famílias e aqueles que se recomendaram às nossas orações; a fim de que, levando com o vosso socorro uma vida pura, possamos eternamente usufruir da contemplação de Deus. Amém!”

(Fonte: Quaresma de São Miguel Arcanjo 2020 – Ed. Paulus)

Hoje em dia só de ouvir a palavra “pureza” muitos já se contorcem e fecham não só os ouvidos, mas o coração impedindo-o de amar. Isso quando, de fato, ainda acredita que é possível ser puro, porque na mente suja da ampla maioria das pessoas, a preza é uma utopia, algo impossível de se ter e quem diz que tem é hipócrita, moralista ou com algum distúrbio psicológico.

Quando falamos de pureza, a primeira coisa que vem na cabeça é “virgindade”. O termo “pureza” está fortemente ligado à sexualidade, na mente da maioria das pessoas. Pureza pode ser também a ausência de malícia em relação aos outros.

Uma pessoa pura pode ser aquela que não olha para os outros com maldade, que não vê malícia até nas menores coisas. Uma pessoa pura pode ser aquela que chamamos de “inocente” ou “boba”, que o mundo diz que precisa amadurecer, crescer, estar atenta às coisas do mundo.

Uma pessoa pura é aquela pessoa que tem o olhar bondoso, não consegue entender como o outro consegue ver tanta coisa ruim, tanta maldade, em alguém apenas apenas por suposição, apenas para se proteger de ser enganada ou ludibriada, muitas vezes antes mesmo de conhecer.

Triste situação de um mundo que exalta a malícia e rebaixa a pureza e a “célebre máxima mundana” de: “Não confie em ninguém até que ela demonstre e prove ser digna de confiança”. O mundo é ou não é assim? No entanto, com tantos problemas por causa da falta de pureza, fixamos apenas a questão da “pureza sexual”.

Para refletir sobre a Pureza, gosto muito do Salmo 24(23) que em um versículo resume a pureza, após a pergunta de “quem poderá subir ao monte do Senhor”, ou seja, entrar no Céu.

“Do Senhor é a terra e a sua plenitude,
o orbe da terra e os que nele habitam.

Pois foi ele que o estabeleceu sobre os mares
e firmou-o sobre os rios.

Quem subirá ao monte do Senhor,
ou quem permanecerá no seu santo lugar?

Aquele que tem mão inocentes e o coração puro,
que não se dirigiu a vãs divindades
e não jurou com falsidade.

Esse receberá do Senhor a bênção
e a justificação, de Deus seu salvador.

É essa a geração dos que o procuram,
dos que buscam a face do Deus de Jacó”.
(Sl 24, 1-6)

Em outra tradução da Bíblia, temos: “O que tem mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca vaidades nem perjura para enganar o próximo”. Olhando para esse versículo parece que, infelizmente, desgraçadamente, ninguém ao nosso redor se enquadra e vai subir ao monte do Senhor, não é? E repare que o Salmo 24(23) não faz alusão direta à sexualidade, embora ela esteja implícita na busca da vaidade (vãs divindades) e muitas vezes no enganar o próximo (jurar com falsidade) mentindo e iludindo para ter momentos de satisfação pessoal.

O Salmo também nos ajuda a refletir sobre a criação de Deus, sobre o fato dele ter feito tudo “muito bom”, mas o ser humano, infelizmente, deturpou, estragou, fez uso indevido e inadequado de toda a criação, ou seja, pecou e continua pecando.

Mas, há um local, uma esperança. Há nessa criação toda o “Monte do Senhor”, um local reservado para os que são puros, sem malícia. Há também a possibilidade de gozar um pouquinho desse Céu para aqueles que já vivem a pureza, ou de gozar momentos desse Céu por alguns instantes. Claro que não em plenitude, pois isso só na Eternidade. Mas, que instantes podem ser esses? Instantes os quais se estiver longe da malícia, do engano, vivendo a pureza num ambiente puro, limpo, livre de malícia e engano. Um lugar onde pode-se estar “de peito aberto”, “desarmado”.

Um ambiente assim me remete ao que deveria ser as famílias, o ambiente familiar, pelo menos na maior parte do tempo. Mas, desgraçadamente, os ambientes familiares também viraram um campo de batalha, onde todos ficam alertas para não se machucarem. Um campo minado, com todo mundo armado, pronto para se defender (e, pior, contra atacar) quando houver um mínimo sinal de discordância, ou um erro, uma mágoa mesmo que sem intenção… enfim, situações que, se a malícia não tivesse armado os corações, se resolveria ou, quem sabe, muito provavelmente, passaria por despercebido.

Que possamos, principalmente nos ambientes familiares, restaurar a pureza de coração, expulsar toda malícia e transformar nossos lares em um sinal, uma figura, do “Monte do Senhor” já aqui no mundo. Transformar nossa casa em um ambiente de refúgio, conforto e restauração, um ambiente seguro, onde possamos gozar um pouquinho da paz do Senhor Jesus, ou seja, que em nossa família Jesus seja verdadeiramente o Senhor e reine em nossa casa.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate e afaste de nós todo espírito de malícia para que Sejamos Puros de Coração e Gozemos da Felicidade Verdadeira.

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