Hora da Morte: Como Lidam o Escravo do Mundo e o Escravo de Maria

“E propôs-lhe esta parábola: “Havia um homem rico cujos campos produziam muito. E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita. Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores; neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens. E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas que ajuntaste de quem serão?” (Lc 12, 16-20).

 

 “Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor. Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.” “Quem é, pois, o servo fiel e prudente que o Senhor constituiu sobre os de sua família, para dar-lhes o alimento no momento oportuno? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, na sua volta, encontrar procedendo assim!” (Mt 24, 42-46).

 

Todos nós vamos morrer, ponto. É uma maneira dura e direta para começar esse texto, mas é preciso chamar a atenção para isso, pois cada vez mais as pessoas parecem esquecer dessa verdade e, principalmente, suas consequências. Parecem se esquecer… De fato, só parece, pois a morte sempre se faz aparecer ao nosso redor e nos dá um choque de realidade.

Até aqui vimos como difere a forma de viver no mundo entre os Escravos do Mundo (mundanos) e os que se fazem Escravos de Deus (ou Escravos de Maria). A forma como vivemos vai interferir diretamente em como vamos lidar com a morte e como será a nossa vida após a morte, a Verdadeira Vida, a VIDA ETERNA.

Em nossa natureza está inscrita um desejo, ou uma sensação de imortalidade, afinal fomos feitos para sermos eternos. Mas, infelizmente, com o Pecado Original a morte entrou no mundo, mas o desejo de eternidade continua. Por isso nós muitas vezes não nos damos conta que vamos morrer um dia e vivemos uma vida de acordo com a morte e não com a vida eterna.

APARENTE PARADOXO NA FORMA DE VIVER

Pode parecer paradoxal (e de fato é confuso): ao mesmo tempo que vivemos como se não houvesse eternidade, vivemos como se nunca fôssemos morrer e, pasme, também queremos aproveitar ao máximo a vida que temos (principalmente porque temos contato muitas vezes com a morte no decorrer de nossas vidas).

Vivemos como se não houvesse eternidade, pois queremos fazer tudo ao nosso jeito como se a “eternidade” fosse agora. “Que seja eterno enquanto dure”. Quem nunca ouviu isso de alguém que está abusando das coisas da vida mundana? Aí temos esse conflito interno complicadíssimo de lidar: eu ajo como se eu fosse eterno (achando que estamos livres das consequências), mas sem crer que há uma eternidade. Por quê? Porque, PARA NÓS, a eternidade só faz sentido depois da morte. Se vive-se como eterno, como se a morte não existisse (ou ignorando que ela exista, ou achando que ela está muito longe e não precisamos nos preocuparmos com isso), a vida após a morte, ou seja, a eternidade perde o sentido.

Quem se faz Escravo de Maria, tem a realidade da morte sempre a frente e com ela a esperança da Salvação na misericórdia divina. Vivemos buscando o desapego do mundo, o desapego ao que é passageiro, fitando apenas no que é eterno e, assim, a morte acaba sendo uma gloriosa passagem, praticamente um prêmio.

A REALIDADE DA MORTE SEMPRE SE FAZ PRESENTE

Contudo, a realidade da morte SEMPRE se faz presente, em diversos momentos, da nossa vida. Ela sempre “chama a atenção” daqueles que vivem na ilusão, como se ela não existisse, para a realidade. Uma pessoa próxima que morre e “deixa tudo aí”, ou quando ficamos doentes e vemos o quanto somos frágeis e impotentes diante da morte e começamos a procurar um sentido para tudo que estamos passando e sentindo. Esses são os momentos de maior angústia para os que vivem como se fossem eternos, como se a morte não existisse. Entra em conflito nossa “natureza” que foi feita para a eternidade com o que fugimos o tempo inteiro, que tentamos ignorar ou fizemo-nos acreditar.

Quando morremos deixamos “tudo aí”, deixamos parentes (muitas vezes desamparados, pois não nos preparamos para o momento). No momento da agonia ou de um grande risco de vida, temos medo de perdermos (deixarmos aqui) tudo que lutamos para ter e não pudemos aproveitar ou como foi em vão tudo que acumulamos no decorrer do tempo. Começamos a pensar em como vão ficar as pessoas que nos amam e/ou dependem de nós.

O ESCRAVO DE MARIA SE PREPARA DURANTE A VIDA

Já o Escravo de Amor a Maria, tem o propósito de se desapegar a tudo, tem a esperança do reencontro na eternidade, tem em vista que pode, do Céu, interceder e fazer muito mais por aqueles que ainda ficaram neste mundo e, tendo em vista que pode morrer a qualquer momento, sendo prudente, trata de deixar tudo mais ou menos preparado para quando a morte vier.

Diferente do Escravo do Mundo, o Escravo de Maria entrega tudo nas mãos de Nossa Senhora, nada lhe pertence, inclusive os dependentes, e tem a confiança  que, na sua falta, a Nossa Mãe e Senhora, super bondosa e solícita, não vai abandonar seus entes queridos que foram entregues à proteção de Maria. O Escravo de Amor não tem bem nenhum. Mesmo que tenha a possibilidade de usufruir de muito (pessoas ricas), sabe que tudo é da Virgem Santíssima (pois deu a Ela livremente) e que ele é apenas um administrador que a Doce Senhora designou para tomar conta dos bens. Vive como se nada fosse dele, vive desapegado. Até porque, para o Escravo de Maria, só o que é eterno realmente importa.

Além disso tudo, ainda tem o fato de o Escravo de Deus pelas mãos de Nossa Senhora ter a promessa de ser assistido e acolhido pela Dulcíssima Virgem na hora da agonia, na hora da passagem. Que consolo imenso ter a visão da Nossa Doce Mãe e Senhora no momento da nossa morte, no momento em que vamos deixar tudo neste mundo para gozar da Alegria Eterna e termos a certeza (é uma promessa!) que os nossos estão assistidos. Quanto a nós, estaremos  desapegados de tudo do mundo, prontos para louvar e amar a Deus de todo coração, com todo nosso ser e nossa vontade.

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