A Tríplice Concupiscência: Como Vencer Este Espírito Mundano

“Não ameis o mundo nem as coisas do mudo.
Se alguém ama o mundo, não está nele
o amor do Pai. Porque tudo o que há no
mundo – a concupiscência da carne,
concupiscência dos olhos e soberba da vida –
não procede do Pai, mas do mundo.” (1Jo 2, 15-16).

Olhamos para nós mesmos e vemos uma desordem dentro de nós. Sozinhos, não conseguimos sequer notar o que é essa desordem. No máximo sentimos que há algo de muito errado em nós. Nada parece nos saciar. Sempre queremos mais e mais de qualquer coisa. Uma busca implacável, exagerada, de qualquer coisa.

A primeira coisa a se fazer para vencer um problema não é identificar qual o problema, mas sim saber que há um problema. Saber que existe um problema em nós mesmos que precisa ser resolvido. Se sequer aceitamos que temos um problema, como vamos buscar uma solução de algo que não existe?

O Pecado Original desorganizou todos os nossos sentidos que deveriam ser direcionados para a perfeição divina, para nos aproximar de Deus, só que eles nos faz cada vez mais nos revoltarmos contra o que não está alinhado com os nossos desejos egoístas. Simplesmente queremos tomar o lugar de Deus, queremos expulsá-Lo e ocupar o Seu lugar. Em vez de louvá-Lo, queremos ser louvado. Em vez de servi-Lo, queremos ser servidos.

O Espírito do Mundo, o Diabo, pode ser resumido em três coisas: “uma repugnante CONCUPISCÊNCIA DA CARNE, que leva a sórdidos gozos sensuais; uma avarenta CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS, que adora os mesquinhos bens da terra; e uma orgulhosa SOBERBA DA VIDA, que idolatra honras imerecidas” (D. Antônio Siqueira).

CONCUPISCÊNCIA DA CARNE

Certamente você já sentiu vontade de fazer algo que saber que é errado, que é pecado, mas mesmo assim acaba tentando “negociar” para ver o limite entre ter prazer e pecar. A busca é justificar, da uma desculpa para não assumirmos que fomos fracos e pecamos, erramos.

Inventamos mil e uma desculpas para nós mesmos. Nos enganamos, buscamos brechas, queremos saber o limite do pecado. Para piorar, estamos inseridos em um mundo que tem idolatrado os sentidos, os instintos, que distorce a realidade para tentar enquadrá-la nos nossos desejos e até mesmo nos livrar da culpa: “Deus não vai me punir porque sou assim, Ele conhece o meu coração. Sabe que eu não queria, mas é meu instinto, é mais forte que eu” ou “Deus não vai me punir por causa da minha natureza, por causa do que eu sou”.

CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS

Quem nunca ficou triste por ter perdido algo que gostava muito? Quem nunca ficou chateado por não ter conseguido alguma coisa que desejava bastante? Especialmente nos dias de hoje, quem nunca se sentiu angustiado por não estar “por dentro” de tudo que está acontecendo no mundo?

A CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS está ligada exatamente a este acúmulo de bens (físicos ou virtuais, objetos ou informações). Queremos possuir tudo e queremos ter o controle de tudo.

Diferente da Concupiscência da Carne, que nos faz buscar o prazer, a concupiscência dos olhos nos faz querer possuir. Unindo ambas, podemos dizer que SENTIMOS PRAZER EM TER O POR ISSO QUEREMOS TER CADA VEZ MAIS.

SOBERBA DA VIDA

A soberba foi o pecado de Satanás. Foi estimulando a soberba em Adão e Eva que a Serpente fez os nossos primeiros pais perderem o Paraíso com o Pecado Original. Foi essencialmente a soberba que bagunçou toda a nossa harmonia.

Fomos feitos para a Glória, para a Honra, para a Felicidade Eterna, para o Prazer Eterno. Mas, tudo isso, com Deus, em Deus, por Deus. A soberba nos faz querer ser mais que Deus, nos faz querer tomar o lugar de Dele. Tudo em nós gira em torno do nosso amor próprio sem Deus. Queremos ser elogiados, amados, queridos, honrados, destacados. Não suportamos estar por baixo. É inconcebível para nós sermos pequenos, inferior, humilhados.

É nessa busca de Honra e Glória, que nos dá muito prazer, que buscamos acumular coisas da terra, ajuntar “espíritos do mundo”. Observando essa Tríplice Concupiscência, podemos ver como estamos sujeitos a um ciclo vicioso. ACUMULAR COISAS DO MUNDO PARA TERMOS O PRAZER DE SERMOS HONRADOS.

ENTREGUEMOS TUDO À VIRGEM IMACULADA

Maria é o nosso modelo. Ela pela sua Imaculada Conceição estava livre do pecado original. Olhemos para Ela e a imitemos. Difícil imitar? Que tal, então, nos entregarmos completamente a Ela para que possamos, por Ela, chegarmos a Jesus purificados Nela?

A Consagração a Nossa Senhora, a total entrega à Santíssima Virgem, consiste exatamente nisso. Entregamos nas mãos de Nossa Senhora nossos prazeres (todo prazer é Dela), consagramos nossos sentidos, tudo que nos dá prazer, temos que pensar se tal prazer deixa nossa Mãe Santíssima feliz. Entregamos a Ela todos os nossos bens. Tudo é Dela, nada é nosso. Com isso, nada mais nos prende ao mundo e nos colocamos totalmente dependente Dela para sobrevivermos, tudo ela providencia. Fazendo isso, estamos renunciando a nossa vontade, cortando o mal que alimenta a nossa soberba, deixamos de pensar em nós e passamos a pensar no que nos leva a Deus, especialmente pensar Nela, a Mãe de Deus.

 

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