Homossexualidade… e castidade? (testemunho de Hudson Byblow)

Por muitos anos, eu rejeitei a castidade enquanto pensava estar verdadeiramente livre. Porém, isso me impediu de ser capaz de experimentar o amor e a alegria no caminho designado por Deus, que eu agora experimento como um homem que luta para viver a castidade.

Em busca da verdade

Com atrações pelo mesmo sexo e inclinações transgênero sendo parte da minha história, eu sabia que eu tinha que crescer na minha compreensão de castidade, porque alguns cristãos estavam dizendo que eu deveria encontrar um namorado e me estabelecer, pois eu era um “cristão gay”, enquanto outros estavam dizendo que todas as pessoas são convidadas a perseguir a plenitude da virtude (com a castidade sendo apenas uma de muitas virtudes). Essas mensagens opostas fizeram-me perguntar a mim mesmo: “Como pode as duas coisas ser verdade?”.

Além do mais, eu não poderia ser honesto por muito tempo comigo mesmo, e pretender que eu estava plenamente aberto a crescer em santidade enquanto estava fechado a crescer na plenitude da virtude. Essa chamada a despertar veio apenas depois de ver minhas ideias quebradas, perceber que a Igreja não é inventora, mas sim a defensora da verdade.

Para todas as pessoas

Depois de perceber que a castidade é um chamado para todas as pessoas (não só para pessoas como eu), eu percebi que eu tinha sido influenciado por uma falsa narrativa vitimista por algum tempo, como se a Igreja estivesse excluindo pessoas como eu. Na realidade, estava me afastando da Igreja! Isso me fez querer conhecer ainda mais. Tipo, com o que mais eu posso ter me enganado? Este era um humilhante (mas necessário) despertar.

Pouco depois, eu descobri que a castidade não era a mesma coisa que abstinência e celibato, e que castidade tratava-se afinal do grau com que eu abriria meu coração para Deus. Novamente, eu costumava culpar os outros, mas então eu percebi que se tratava da minha escolha de amar a Deus mais completamente. Além disso, isso sacudiu meu mundo, pois, por muito tempo, eu também estava focado em tentar manter uma “aparência de bom Católico” em vez de desenvolver um coração santo.

Seguindo isso, percebi que apenas porque eu posso ter sido virtuoso em algumas áreas, isso não me deu um “passe livre” para fechar-me às outras virtudes. Conheço alguns católicos que pensam assim, que podem conviver com isso. É entristecedor ouvir isso, mas isso me motivou ainda mais a convidar as pessoas para uma jornada de descoberta do que realmente significa a santidade.

Respeitando e Honrando o Artista Divino

Finalmente caiu a ficha de que Deus é o Artista Divino e, para eu amá-lO mais completamente, eu deveria, no mínimo, me esforçar para Honrar e respeitar Sua obra de arte (a ordem da criação). Dessa forma, eu vim a perceber que lutar pela santidade (e evitar o pecado) poderia se apresentar como um caminho concreto. Isso era proveitoso, pois sem esse entendimento concreto, como estar seguro de quem eu poderia estar sendo em relação à minha conduta? De qualquer modo, minha visão da santidade havia mudado de manter uma aparência de bom Católico para lutar até à morte com meus próprios apegos (posteriormente abandonando minha vontade ao Senhor) em toda situação onde eu disse que meus apegos eram contrários à ordem de Deus-autor da criação.

A Ordem da Criação e Relacionamentos

Mesmo se eu sentisse atração por algum rapaz, ele poderia tornar-se, na melhor das hipóteses, um amigo, e nada mais. Por quê? Porque honrar a obra de Deus (complementaridade fisiológica) significa mais do que satisfazer alguns desejos (ou alguns apegos às minhas próprias ideias de “quem eu sou”). E eu certamente não poderia ter tido esse ponto de vista se eu continuasse pensando que Deus “me fez desse jeito” (que em um ponto, eu disse que era minha consciência falando, mas agora vejo que era apenas um reflexo dos meus próprios desejos e apegos).

E nessa reviravolta da busca por um coração casto, um efeito colateral que eu percebi é que as atrações sexuais/afetivas pelo mesmo sexo e as inclinações transgênero tinham diminuído, no início, sem que eu percebesse. Eu nunca visei isso, nem mesmo rezei por isso. Simplesmente veio como resultado da luta para abrir mão dos meus próprios apegos a este mundo, enquanto também lutava para preencher meu coração com o Senhor, a Pessoa que me ama ao máximo, e a melhor. E hoje eu experimento uma alegria que eu espero e rezo para que muitos outros possam vir a experimentar também.

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Hudson Byblow é um palestrante católico, escritor e consultor. É membro do Courage International, um apostolado que oferece apoio a pessoas com atração pelo mesmo sexo que escolheram viver a castidade. 

 

 

Texto original no blog Chastity Project 

(Os grifos não estão no texto original)

Tradução: Cleiane Nunes

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