Teologia do Corpo Para Principiantes – Christopher West

“No céu, os sacramentos cessam porque já alcançaram seu objetivo, que é Deus. Mas aqui na terra, se são devidamente vividos, nos proporcionam um antegozo do céu.”

Enquanto sacramento, o Matrimônio é sinal da própria vida de Deus. Sabemos que o homem foi feito à Imagem e Semelhança de Deus, e sendo assim, Deus logo viu que não era bom o homem estar sozinho, pois Seu Próprio Ser Divino é uma Comunidade de Amor. Então, Deus faz a mulher, “osso dos ossos e carne da carne” de Adão. Ora, sabemos que Deus não é sexuado; não podemos perder de vista que o ser humano foi feito à Imagem de Deus, e não Deus à Imagem do Ser humano. Como toda analogia, não é perfeita; no entanto, não há na Bíblia sinal melhor que represente o Ser Divino que a união esponsal: o sexo simboliza, pois, a doação de amor das pessoas da Santíssima Trindade através da mútua doação do homem e da mulher.

O mais íntimo anseio do coração humano é ser igual a Deus, participando de sua vida. Na imagem esponsal, Deus é o esposo e o ser humano, a esposa. Por isso no Éden a serpente se aproxima de Eva, não de Adão. A tentação primeira consistiu em fazer o homem crer que Deus não se importa com o ser humano, que é um Tirano que não pretendia compartilhar a condição divina com essa sua criatura. Dessa forma, Eva vai ao fruto com a atitude de agarrá-la, em vez de querer receber do Pai. O primeiro pecado consistiu em duvidar do Amor, que é Deus.

Analogamente, o sexo “perde” seu significado de cada pessoa ser um dom para o outro: surge a luxúria com o desejo de possuir o outro para gratificação própria. A vergonha da nudez revela a necessidade de proteger o sentido esponsal do corpo contra a degradação da luxúria – daí a necessidade da modéstia no vestir; o homem perde a noção dos corpos como significado da dignidade da semelhança divina. No Sermão da Montanha, Jesus quer nos dizer: “Ouvistes o ético, ‘não cometais adultério’, mas o problema é que desejais cometer adultério. Vosso caráter é falho, pois estais cheios de luxúria”. Cristo vai ao âmago do problema.

O novo caráter proclamado por Cristo não nos é dado somente como tarefa, mas sobretudo como um dom: não estamos à mercê de nossos defeitos e pecados. Pelo dom da nossa redenção, Cristo insufla em nossa carne o mesmo espírito (graça) que “expirou” de nossos corpos quando renegamos o dom. Em Amor e Responsabilidade, o futuro João Paulo II escreveu que a pureza madura “consiste na rapidez em reconhecer o valor da pessoa em cada situação e em elevar as reações sexuais ao nível pessoal”. É como se Jesus no Sermão da Montanha nos dissesse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão o mistério de Deus revelado através do corpo”.

O amor de Cristo tem 4 características: livre (“Ninguém me tira a vida, eu a dou por própria vontade” Jo 10), total (“até o extremo os amou” Jo 13), fiel (“Estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” Mt 28) e fecundo (“Eu vim para que todos tenham vida” Jo 10). Outro nome para esse amor é Matrimônio. Será que o sexo antes do casamento ou o adultério correspondem a esse amor livre, total, fiel e fecundo? O comportamento homossexual, a masturbação e a pornografia correspondem? E um relacionamento esterilizado entre marido e mulher… corresponde?

Ao longo da história reconheceu-se que o respeito à função procriativa da união sexual é a chave da moralidade sexual. O anticoncepcional não surgiu para evitar a gravidez – pois para isso já existia a abstinência – mas para justificar nossa entrega à luxúria. Sendo o matrimônio sinal do amor de Deus, e sendo Ele “amor que dá a vida”, o contraceptivo faz do casal um contra-sinal do “grande mistério” que simboliza, levando-os a afirmar o oposto: “Deus não é amor que dá a vida”. Excluir conscientemente a aceitação dos filhos anula o matrimônio desde o início, pois acolher e educar os filhos é promessa feita no rito matrimonial.

Em que consiste, pois, a paternidade responsável da qual Paulo VI trata na Humanae Vitae? Fidelidade às promessas matrimoniais não quer dizer que os casais nunca devem limitar o número de filhos. A família numerosa deve resultar de uma prudente troca de ideias do casal, não do “acaso”. Para evitar a concepção de um bebê o casal pode abster-se do sexo ou praticá-lo no período infértil natural da mulher, período este por Deus mesmo criado. A diferença, pois, entre a contracepção e o período infértil natural é que, ao optar pelo primeiro, tomamos em nossas mãos as forças da vida, voltando àquele pecado do Éden: querer ser deus sem Deus.

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